CENA 1
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| Fotos: Caio Vilela |
Tomás, de 7 anos: “Estamos em Hogwarts?”
Ao lado da muralha, Professor e sua assistente observam os alunos uniformizados. Ele esfrega as mãos.
Professor: “Bem-vindos à sua primeira aula de voo na Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts! Bem, o que estão esperando?Peguem suas vassouras!”
Todos os dias, no verão, dezenas de crianças protagonizam a cena acima em um dos pátios do Castelo de Alnwick, em Northumberland, no norte da Inglaterra. Erguido há mais de 700 anos, ele abrigou, no século 14, sir Henry Percy, mais conhecido como Harry Hotspur. “Cavalheiros, a vida é curta [...]. Se vivemos, vivemos para marchar sobre a cabeça de reis”, dizia ele, que virou personagem da peça Henrique IV, de Shakespeare. Mas é outro Harry, criado pela imaginação da escritora britânica J.K. Rowling, que atrai multidões de visitantes ao castelo. Foram filmadas ali cenas de Harry Potter e a Pedra Filosofal e de A Câmara Secreta, sua sequência.
No mesmo local em que hoje professor e sua assistente dão “aulas de voo”, Madame Hooch ensinou as primeiras instruções de manejo das vassouras mágicas aos bruxos Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger no primeiro filme da série. No meio da tarde, surgem dos corredores do castelo o enorme Rúbeo Hagrid e o Alvo Dumbledore, o “mago dos magos”, para um divertidíssimo show para crianças e adultos. Uma oficina de fabricação de sabonetes à base de aveia poderia ser facilmente confundida com uma aula de poções. No final, um pequeno truque para fazer a foto perfeita: um pulinho na vassoura e o clique no momento certo. O resultado são as fotos de meus filhos Tomás e dos irmãos mais novos, Martin e Artur, gêmeos de 5 anos, voando contra um belo céu azul.
Nos últimos dez anos, os oito longas de Harry Potter arregimentaram legiões de fãs do mundo todo e transformaram a série em uma das mais rentáveis da história do cinema. O conjunto dos filmes arrecadou mais de US$ 7 bilhões, anunciou o estúdio Warner Bros. Pictures uma semana após a estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, em julho. O filme, que encerra a saga, entrou para o seleto grupo das dez produções que ultrapassaram US$ 1 bilhão em bilheteria. Em papel, os sete livros, traduzidos em mais de 65 idiomas, venderam mais de 400 milhões de exemplares – 3 milhões no Brasil.
CENA 2
Estação de Fort William, na Escócia. Turistas se aglomeram para embarcar em um trem a vapor para Mallaig.
Chefe da estação: “Todos a bordo!”
Artur: “Posso entrar? Sou Ronnie Weasley.”
Tomás: “Claro. Sou Harry Potter. Muito prazer!”
Martin: “Uau!!!”
A locomotiva é famosa por ter se tornado, nas telas, o Expresso Hogwarts. Dentro do trem, meus filhos encenaram dezenas de vezes o encontro de Harry, Ron e Neville Longbottom, em uma adaptação – forçada pela falta de meninas na família – da cena em que os dois primeiros encontram-se com Hermione em uma das cabines desse mesmo trem, operado pela West Coast Railways. Nossa reserva nos colocou em um vagão A, de primeira classe. Para repetir a experiência exata dos bruxinhos, seria preciso estar no vagão D, onde ficam as cabines usadas no filme. A cada parada, portanto, era necessária uma corrida até lá pelos corredores para alimentar ainda mais a imaginação. Embora não haja abajures suspensos nem paredes com fotografias em tons sépia, as poltronas são exatamente as mesmas.
Todos se aglomeram nas janelas durante a travessia de 380 metros do Viaduto Glenfinnan, com seus 21 arcos, construídos entre 1897 e 1901. Em O Prisioneiro de Askaban, em uma parada abrupta sobre a ponte, Harry se depara pela primeira vez com os dementadores, figuras fantasmagóricas capazes de drenar a paz, a felicidade e as boas memórias dos seres humanos. Durante nossa viagem, nós, passageiros na vida real, acenamos para outros fãs que aguardavam do lado de fora, nos arredores do viaduto, para fotografar o Expresso Hogwarts em sua locação mais famosa.
Nos filmes, o trem parte da estação King’s Cross, em Londres. Ali, uma parede recria o pilar que, na ficção, cada estudante deve atravessar para chegar à plataforma de embarque 9¾, de onde sai o trem que os levará à escola de bruxaria. São recebidos na chegada pelo gigante Hagrid, em Hogsmeade – na verdade, uma estação de trem na pacata cidade de Goathland, no nordeste da Inglaterra. Londres ainda reúne outros cenários de Harry Potter, como a estação de St. Pancras, que serviu de ponto de partida para o carro voador da família Weasley em A Câmara Secreta. Na cena de abertura de O Enigma do Príncipe, a Ponte Millennium é destruída por um ataque dos seguidores de Voldemort, o lorde do mal. Na primeira parte de As Relíquias da Morte, os três protagonistas percorrem Piccadilly Circus, cartãopostal londrino. E, no primeiro filme, Harry e seus tios, os Dursley, visitam o zoológico. Outra das locações mais espetaculares é o Mercado Leadenhall, que deu vida às ruelas do Beco Diagonal. O mercado coberto ganhou arcadas de ferro e vidro e aleias de paralelepípedo no século 19. Dentro há lojas, bares e restaurantes. Se não fica lá a loja de varinhas de Olivares, a fachada azul da ótica serviu de cenário para o Caldeirão Furado, o bar em cujos tijolos Hagrid toca seu guarda-chuva para abrir uma passagem para o Beco Diagonal.
O sucesso da série também leva ao museu Wizardology, instalado em um casarão de mais de cinco séculos em Stratford-upon-Avon, a 150 quilômetros de Londres, onde também está a casa de Shakespeare. A “escola de magia” local fica ao final de uma escadaria repleta de caixas de varinhas mágicas que lembram as estantes de Olivares, em que Harry Potter comprou a sua. A nossa custou £ 17 (R$ 45). Enquanto se resolve o enigma na parede da sala, todos podem mexer nos fascos de poções. Na mesma sala fica uma réplica do Chapéu Seletor, que distribui os novos alunos entre as casas de Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal e entrou em ação no primeiro filme, no Salão Principal, para o banquete de abertura.
Abro aqui um parênteses para contar que esse salão é uma recriação da sala de jantar da Christ Church, a maior faculdade da Universidade de Oxford, a 85 quilômetros dali. A escadaria que conduz ao salão aparece na cena em que os novos alunos são recebidos em Hogwarts pela professora McGonagall. Ainda em Oxford encontramos a Biblioteca de Hogwarts, ou Biblioteca Duke Humphrey, e, na Escola Divinity, o hospital em que Harry e Ron se restabelecem da épica batalha de xadrez gigante.
Para quem quer mais, a Warner Bros. Promete lançar, em 2012, um tour pelos estúdios Leavesden, a cerca de 30 quilômetros de Londres, onde os filmes foram produzidos. Lá vão estar os cenários originais, figurinos e curiosidades sobre a série. Os ingressos devem começar a ser vendidos em 13 de outubro, apenas no site (www.wbstudiotour.co.uk). Ainda no mesmo mês estreia o site Pottermore (www.pottermore.com), um portal dedicado aos fãs. A saga continua!
CENA 3
Quarto de hotel em um edifício histórico de Alnwick, com uma cama de casal, uma de solteiro e um beliche. As crianças conversam sobre o dia que passou.
Artur: “Hogwarts é mesmo mágico. Começa em Alnwick e continua em Oxford...”
FONTE: REVISTA VIAGEM E TURISMO - EDITORA ABRIL (Por Ana Busch - Fotos: Caio Vilela)


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